sexta-feira, 12 de julho de 2013

Hoje eu vou dormir mais assistente social do que nunca...

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Sou assistente social e hoje posso dizer isso com muito orgulho, com muita satisfação... porque quem me conhece sabe que há algum tempo, eu não tinha prazer em exercer minha profissão... não pela profissão em si, mas pela falta de reconhecimento que gira em torno de ser assistente social... profissão essa tão importante para a sociedade brasileira, e que ainda hoje, mesmo após 20 anos de sua regulamentação, é pouco conhecida, quase nada compreendida  e nem um pouco reconhecida...

E não é só o baixo salário que configura essa falta de reconhecimento (em média R$1.500,00 no setor público e não governamental e R$2.500,00 no setor privado), dentre outras coisas, a Lei 12.317 de 28 de agosto de 2010, que determina que a duração do trabalho do assistente social deve ser de 30 horas semanais, ainda não é cumprida em Uberaba (e creio que em vários municípios do Brasil também não seja)... outro problema administrativo: exceto pelas profissionais da área que atuam na política de saúde, ainda não foi estabelecido o sistema de produtividade e insalubridade para a categoria... e isso chega a ser inacreditável, visto que a insalubridade não acontece só nos espaços hospitalares e ambulatoriais... ela existe em áreas cujo saneamento básico é escasso, em comunidades com alto índice de risco epidemiológico, em instituições de abrigo provisório e/ou permanente, enfim... em qualquer política onde atue um assistente social, ele está propício de se expôr à locais e situações insalubres... e o volume de trabalho e a responsabilidade das ações em qualquer política é tão grande quanto na política de saúde.

Ainda com toda a questão administrativa que circunda as dificuldades de ser assistente social no Brasil, posso dizer que, cada vez mais, venho tendo motivos para amar o que faço...
Hoje acordei tão assistente social como ontem, mas vou dormir mais assistente social do que nunca... porque pela primeira vez na política de habitação, na qual atuo há 3 anos (e espero atuar pelo resto da vida), vi que a importância da minha profissão é reconhecida por alguns, ainda que poucos, mas com certeza, alguns que podem reproduzir o quão representativo é o trabalho de um assistente social numa política pública, seja ela qual for.

Não tenho vaidades profissionais individuais... nem me faz bem imaginar meu nome dito em tribunas, palanques e etc., já no que se refere à vaidade profissional no que tange à categoria, ahhhh, aí sim eu sou vaidosa... e poder ter o prazer de essa categoria da qual eu faço parte sendo publicamente reconhecida, me faz acreditar que cada vez mais, mais pessoas e classes observam o quanto o assistente social tem valor e isso me motiva a desempenhar melhor o meu trabalho.

É bem verdade que quem precisa valorizar e reconhecer mesmo é o usuário do serviço público, e quanto à isso não há do que reclamar... e é outra boa verdade que depois do usuário, a chefia direta deveria ser a primeira a reconhecer nosso trabalho, mas apesar de isso (ainda) não acontecer, hoje me senti feliz só de ver que nosso trabalho está sendo mais visualizado e melhor compreendido, mesmo que por alguém lá de cima que não convive diretamente com nosso trabalho, eu já me sinto um cadinho mais feliz... me sinto bem... e  tenho cada vez mais prazer em exercer minha profissão.

Agradeço ao DD. Vice-Prefeito Almir Silva pelo reconhecimento em público...
Agradeço ao Presidente da Companhia Habitacional do Vale do Rio Grande, Wagner Nascimento Júnior pelo agradecimento seguido do abraço sincero, verdadeiro e de fato cheio de gratidão...

"Hoje eu acordei
tão assistente social
quanto ontem, mas
vou dormir
mais assistente social
do que nunca..."