quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Aquele sobre entre mortos e feridos, salvarem-se todos...

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Me lembro que até pouco tempo eu tinha a pior mania do mundo... aliás, acho que não posso chamar isso de mania, mas também não sei que nome dar :P ... sei que até pouco tempo, atribuía  a culpa / responsabilidade pelas coisas ruins que me aconteciam, às pessoas envolvidas nessas coisas... não é difícil entender... vou exemplificar:

Se um namorado era infiel à mim, obviamente eu ficava magoada e sofria... daí atribuía toda a culpa da minha mágoa  e sofrimento nesse namorado... se eu era demitida, ficava magoada, com raiva, desesperada e desempregada... daí atribuía minha mágoa, raiva, desespero e desemprego ao empregador que me demitiu... se um amigo me decepcionava, tendo alguma atitude em relação à mim que eu jamais pudesse imaginar que ele teria... eu ficava magoada, sofria, sentia meu coração estilhaçado... daí atribuía a esse amigo toda a responsabilidade pela minha mágoa, sofrimento e coração partido...

Isso aconteceu até o início de 2010 quando tomei a pior facada nas costas de toda a minha vida e o sofrimento foi tão grande que eu juro que quis desintegrar... eu não sei direito dizer o que aconteceu aqui dentro de mim que me fez mudar... e me fez mudar não só na maneira de pensar ou de agir... minha maneira de sentir as coisas ruins também parecem ter mudado e consideravelmente...

Sei que depois do episódio ocorrido no início de fevereiro de 2010 (ontem, dia 02/02/11 fez um ano)... ou um pouco depois disso quando eu consegui processar racionalmente tudo o que aconteceu, eu me dei conta de que sou a única responsável pelas coisas ruins que acontecem comigo... mesmo que haja outra pessoa envolvida... mesmo que as coisas ruins que me aconteçam sejam consequências de ações de outras pessoas... mesmo assim... sou só eu a responsável pelos meus sentimentos... pelo que penso a respeito do ocorrido e principalmente, por minhas ações a partir do que de ruim me acontece... e acho que além disso, me dei conta também de que o fato de eu estar sofrendo não significa que todo o universo tenha que se mobilizar pra amenizar a minha dor... e podem rir, mas era isso o que eu pensava (de maneira diferente... e claro que inconscientemente, mas era isso)...

Depois dessa minha percepção, passei a me lembrar quase constantemente da voz da minha ex professora Rosane Martins, em 2001, quando eu fazia o primeiro ano de Serviço Social, citando Shakespeare para toda a turma:

"(...) e você aprende que amar não significa apoiar-se e companhia não quer sempre dizer segurança. E você começa a aprender que beijos não são contratos e presentes não são promessas (...) Aprende que não importa em quantos pedaços o seu coração foi partido, o mundo não pára pra que você o conserte (...)"

Sei que depois desse meu insigth, as tormentas da vida parecem ter doído menos... ou... se não doeram menos... parece que eu passei a conseguir lidar melhor com essas dores... os maus acontecimentos deixaram de ser tragédias gregas e se tornaram, muito sutilmente, mais um desafio a ser enfrentado... mais uma dificuldade a ser superada... e aí de novo me lembro da voz da Rosane citando Shakespeare em 2001:

"(...)e você começa a aceitar suas derrotas com sua cabeça erguida e seus olhos adiante... com a graça de um adulto, e não com a tristeza de uma criança (...)"

Comecei a me dar conta, à partir das experiências horríveis que vivi no início de 2010, e das várias fichas que foram caindo gradativamente no meu coração, que uma pessoa muito querida tinha razão quando adolescente me disse (e eu ainda uma criança) que se você ama alguém, isso é um problema seu e se esse alguém não ama você isso é um problema dele... porque você é responsável pelos seus sentimentos, o que o outro sente por você está fora do seu alcance, então não é responsabilidade sua... acho que me dar conta da veracidade desse discurso foi fundamental pra eu concluir que de fato, se alguém me faz algo de ruim, eu sou plenamente responsável por isso... e aí de novo me lembro da voz da Rosane citando Shakespeare em 2001:

"(...) E aprende que não importa o quanto você se importe, algumas pessoas simplesmente não se importam... e aceita que não importa quão boa seja uma pessoa, ela vai ferí-lo de vez em quando e você precisa perdoá-la por isso (...) Descobre que se leva anos para se construir confiança e apenas segundos para destruí-la (...) Descobre que só porque alguém não o ama do jeito que você quer que ame, não significa que esse alguém não te ame com tudo o que pode, pois existem pessoas que nos amam, mas simplesmente não sabem como demonstrar ou viver isso (...)"

E a cada nova percepção da pessoa com um pouco mais de resiliência que eu venho me tornando desde 2010, eu percebo também o quanto alguns amigos, familiares e pessoas queridas contribuem de forma relevante pra isso... porque eu me dei conta de que, se quando me magoam, eu sou a única responsável por minha mágoa... quando algo de bom me acontece, tem uma arquibancada de pessoas maravilhosas que dividem comigo a responsabilidade por isso... e aí de novo me lembro da voz da Rosane citando Shakespeare em 2001:

"(...) Aprende que verdadeiras amizades continuam a crescer mesmo a longas distâncias. E o que importa não é o que você tem na vida, mas quem você tem na vida. E que bons amigos são a família que nos permitiram escolher (...)"

Sim... eu fui mudando ao longo do ano de 2010 (aliás, estamos sempre mudando, a cada dia, mas em 2010, de fato meu crescimento foi bem mais relevante e obviamente, a mudança foi mais evidente) e  a partir dessa minha percepção de auto responsabilidade por meus sentimentos, pensamento e atitudes eu fui aprendendo a aceitar melhor minhas limitações e a aceitar de vez, no meu coração, que alguns sonhos que eu sonhava eram distantes demais da minha realidade, e que apesar disso, eu tinha alguns outros sonhos muito mais concretos e possíveis de serem realizados... e aí de novo me lembro da voz da Rosane citando Shakespeare em 2001:

"(...) Começa a aprender que não se deve comparar com os outros, mas com o melhor que pode ser. Descobre que se leva muito tempo para se tornar a pessoa que quer ser, e que o tempo é curto. Aprende que não importa onde já chegou, mas onde está indo... mas se você não sabe para onde está indo, qualquer lugar serve (...)"

Quem mais ganhou com essa minha percepção de vida e consequentemente com a minha mudança interior? rs... eu mesma... aliás, se mais alguém além de mim ganhou com isso, ninguém ainda me contou nada hehe... a verdade é que, me percebendo como principal responsável pelas minhas dores, pelas minhas derrotas, pelos meus fracassos... sofrimentos... mágoas, etc... senti que em muito e para muito, o meu coração amoleceu... bem verdade que pra algumas coisas ele ficou ainda mais rígido, mas pra muitas e muitas outras coisas... a maioria delas, ele simplesmente amoleceu... Passei a enxergar as pessoas à minha volta de forma diferente, e buscando sempre valorizar o que elas tem de bom... e uando isso não foi possível, por eu não suportar o fato de algumas pessoas estarem em constante necessidade de prejudicar os outros, eu simplesmente consegui ser sincera comigo mesma (e com a pessoa que não suportei) e assumir com argumentos, que não dava mais pra manter uma boa relação e a indiferença foi a melhor saída...  e aí de novo me lembro da voz da Rosane citando Shakespeare em 2001:

"(...) Aprende (...) que ser flexível não significa ser fraco ou não ter personalidade, pois não importa quão delicada e frágil seja uma situação, sempre existem dois lados. Aprende que heróis são pessoas que fizeram o que era necessário fazer, enfrentando as consequências. Aprende que paciência requer muita prática.(...) Aprende que maturidade tem mais a ver com os tipos de experiências que se teve, e o que você aprendeu com elas, do que com quantos aniversários você celebrou (...)"

Algumas pessoas simplesmente não acreditam quando eu digo que o fato de elas terem me virado as costas, ou me apunhalado, ou deixado de me dar apoio em momentos difíceis, já não tem mais importância... mas é o que é... de fato, não tem mais importância e isso não significa que essas pessoas deixaram de ser importantes pra mim... significa, só, que eu percebi que elas não tiveram culpa do que eu senti e de como eu senti... mesmo tendo envolvimento em situações da minha vida que me causaram dor ou sofrimento... não... elas não foram e nem poderiam ter sido as responsáveis pela minha dor... 

E porque eu estou escrevendo isso agora?

Então... é porque hoje, 03/02/11, após eu tomar posse (com muio gelo e limão... YAY!!!!), ação essa que pensei ser a última pra que a minha vida profissional de agora se firmasse, algo estranho e não esperado aconteceu... uma reunião, que até então não seria necessária foi marcada para amanhã as 09 horas da manhã... e tendo eu adquirido ao longo de 2010 capacidade de compreender algumas coisas, percebi claramente, que a minha situação profissional pode ficar muito ruim à partir dessa reunião... (ressaca do caraio, eu devia ter botado mais limão e não abusado da posse) e me dando conta dessa possibilidade fiz outra descoberta... há poucas horas... descobri ao ter a percepção de que algo ruim pode me acontecer amanhã, (e que se acontecer eu serei a única responsável pelo fato e pelos meus sentimentos e reação diante do fato) que o mundo... essa bola imensa muito azul e muito louca... não pára enquanto se está vivo... e que eu posso a qualquer momento viver uma nova situação ruim... mas sabe... não importa... porque de novo me lembro da voz da Rosane citando Shakespeare em 2001:

"(...) então você planta seu próprio jardim e enfeita sua própria alma ao invés de esperar que alguém lhe traga flores... E você aprende que você realmente pode suportar, que realmente é forte, e que pode ir muito mais longe depois de pensar que não se pode mais. (...)"

Por enquanto, ainda posso fazer minhas orações e ter pensamentos positivos para que minha intuição falhe... mas se não falhar, não importa... eu tenho que poder ir muito mais longe sempre que pensar que eu já não posso mais...

É como dizia a minha avó... se não matar, engorda!! ;o)






2 comentários:

  1. Lindo texto amiga, refletir e externar o que sentimos é muito importante! E como aprendemos com o passar do tempo né?

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