quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Aquele sobre quando a ficha caiu - parte II

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... pois é... e depois que chorei compulsivamente, tendo a certeza de que jamais dormiria naquela casa... ("naquela" e não mais "nessa" porque já não estou mais lá) não mais me aconhegaria naquele meu quarto quentinho... não mais desfrutaria do frescor daquela clarabóia que separava o meu quarto do quarto do Fí... enfim... depois do choro fiz o post e aí tentei pensar com mais otimismo sobre tantas e tão bruscas mudanças... e como disse no post anterior, foi difícil relembrar os bons momentos... foi doído... mas ao mesmo tempo, confesso, que estranhamente, foi bom relembrar...
me lembrei que ao mudar pra lá, foi difícil convencer e ensinar a Fia a dormir no seu próprio quarto... ela se acostumara a dormir comigo por nove anos e não foi fácil fazer esse desmame, mesmo ela já estando grandinha... mas foi só fazer o acordo de deixar a luz do quarto acesa e as coisas foram se ajeitando... não demorou muito e ela enfim aprendeu a dormir no seu próprio quarto e a ter o seu próprio espaço...
me lembrei que no segundo dia morando naquela casa, minha família, a família do andrey e alguns (poucos) amigos nos fizeram um chá de casa nova e ganhamos um monte de coisas que não tinhamos... como panela de pressão, por exemplo...
me lembrei de quando, morando ali, eu tive dengue... e foi terrível porque eu estava com oito meses de gestação... período difícil...
e me lembro tão saudosamente de quando Nath e eu deitávamos juntas no sofá da sala, e o Maurinho, ainda na barriga, ficava chutando como se quisesse empurrar a irmã dali... e era bom quando a gente se aconchegava no sofá...
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e foi naquela casa que eu vivi as últimas semanas de gestação do Fí... e me lembro do quanto fiquei ansiosa porque ele só nasceu perto da 37ª semana de gestação... me empaturrei de chá de canela, banho quente e sexo pra ver se estimulava o trabalho de parto... enfim... fase importante e apesar de um montão de pesares... deixou saudades...
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e foi ali que cheguei com o Fí quando ele nasceu... alí ele viveu seus primeiros dias e todos os seus outros dias até recentemente... e ele até então não sabia o que era morar em outro lugar que não alí...
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e me lembrei de tantas coisas que vivi naquela casa... tão aconchegante... tão "nossa", que obviamente, todas as emoções que lembrei ter vivido alí, não caberiam nesse post... e por isso, ele continua...

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Aquele sobre quando a ficha caiu - parte I

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Parece que só agora (na verdade há algumas horas, considerando o tempo que demorei para elaborar o post) eu me dei conta de que esta é a última noite que passo nessa casa... só agora caiu a ficha e aquele flash back não planejado e atrevido como um visitante indesejado passou na minha cabeça, me trazendo a tona o quanto fui feliz... e infeliz... e feliz de novo, vivendo aqui...
Cada vez que penso na história da minha vida eu chego a conclusão de que absolutamente tudo o que aconteceu foi como tinha que ser... e aí ao me lembrar de como vim parar nessa casa, tenho a absoluta certeza disso (e talvez seja o que me fortalece e me faz sempre confiar numa força estranha que me leva não a cantar, mas a seguir em frente)...
Os primeiros responsáveis por eu morar nessa casa hoje foram meus filhos... A Fia, por não caber onde eu morava antes... eu morava com Andrey no apErtamento minúsculo que ele viveu enquanto solteiro... e lá era pequeno e inviável demais pra Fia...
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e essa é a única foto (tecnicamente péssia e mostrando um puta mal exemplo) que tenho mostrando um pedacinho do apErtamento, onde me aconcheguei em Andrey por um tempo (de setembro de 2005 a janeiro de 2006)... inclusive, onde o Fí foi gerado...
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Fiquei quatro meses longe da Fia por isso (ela ficou morando com a minha mãe e eu só a via uma vez por semana)... e o Fí, por estar tão enorme dentro da minha barriga, a ponto de me impossibilitar de subir oito lances de escada (não sei se eram quatro ou oito, mas nem importa, na verdade pareciam trezentos e oitenta e sete mil e quinhentos lances de escada)... e em seguida foi o pai da Fia o responsável por hoje eu morar aqui... porque depois de muito tempo procurando uma casa adequada, foi ele quem me indicou essa... a perfeita!
Então se não fosse aquela minha história doída, sofrida e machucada, lá em 1996/97,envolvendo meu namoro com o pai da Fia, e não fosse a Fia ter escapolidamente vindo ao mundo, e não fosse tanto sofrimento e descoberta e vivência e tudojuntomisturado e tanta dor em torno dessa história e tanta terapia por causa dessa dor e desse sofrimento e das descobertas e das vivências e de tudojuntomisturado... talvez eu nunca tivesse conhecido o Andrey... e aí nunca teria vivido com ele num apErtamento... e não teria ficado grávida do Fí... e não teria mais contato com o pai da Fia... no fim das contas, eu nunca teria morado nessa casa... e esse post também não teria razão de ser...
É como relatei antes... a sensação que tenho em cada significante acontecimento da minha vida é que as coisas são como tem que ser... e talvez agora, tenha que ser isso... eu tenha que sair dessa casa e no exato momento em que digito essas palavras, a dor por deixar esse lar aperta ainda mais o peito... Então essa parte 1 sobre quando a ficha caiu é na verdade pra contar que há poucas horas, quando fui tomar banho (pela última vez nessa casa), me dei conta de que é minha última noite aqui... e confesso que deu um pouquinho de arrependimento de ter decidido mudar (sei que vai passar, mas é o sentimento do momento e é ele que eu quero e preciso registrar)... e me lembrei dos bons e mals e felizes e infelizes momentos que passei nessa casa... e confesso ainda que deu uma dor grande no peito e ela ficou tão grande, e tão sem espaço alí dentro, que eu tive que deixar ela sair... e foi aí que eu compulsivamente, em silêncio e escondidinha no banheiro... chorei!
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(continua)...

domingo, 19 de setembro de 2010

Aquela sobre quando Prata vale ouro...

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Pessoas passam por nossas vidas por vários motivos... deixam muito de si e levam outro tantão da gente... No dia em que conheci Marcela Prata ( @moprata ), pensei... "pôxa, como essa moça parece a Mitia Assef ( @mitia_meucanto ) ... de perfil lembra pouquinho hehe... mas depois que me acostumei e conheci direitinho o rostinho dela, não achei mais tão parecida... acho que o que de mais valioso Marcela Ouro vai deixar comigo, é o jeito simples de encarar cada minuto de vida... cada problema... cada obstáculo... aliás... o que é obstáculo quando se fala em Marcela Ouro?... porque sinceramente, tenho quase certeza de que pra ela eles não existem... se tem problema ela resolve e ela não coloca dificuldades pra isso... apesar da nobreza dos "Prata", Marcela Ouro é uma pessoa simples, respeita todo e qualquer ser humano independente de qualquer coisa e eu acho isso lindíssimo nela... Tem um jeitinho tão dela de ser sem noção que creio ser esse o seu maior charme... pessoa mais voadinha não conheço, mas até isso faz dela uma coisinha linda!... Vai ser difícil passar boa parte dos meus dias sem ver aquele rostinho... sem ouvir aquelas histórias de possessividade e ciúmes contadas por Marcela sobre seu relacionamento amoroso... vai ser difícil ficar sem a "Menininha" por perto... mas enfim... ela foi voar e fazer aquilo que estudou pra fazer... vai trabalhar com publicidade, que é sua área de atuação, e eu fiquei muito feliz por ela, apesar da tristeza de não ter mais o prazer da sua companhia!
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Voa "Menininha"... vai voar...
vai ser "Menininha" no seu lugar...
se é que lugar você tem...
e que ao sair dessa terra de ninguém,
não se esqueça, "Menininha",
de quem ficou e tanto quer você bem...
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Obrigada, Marcela, por permitir que eu fizesse parte de um pedacinho do seu mundo... por permitir a maravilha que foi e é conhecer você! E você pode até sair da sala de trabalho que eu ocupo... mas do meu coração, não sai mais!!!
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sábado, 11 de setembro de 2010

Aquela com a aquarela...

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Esse é um post especial pra minha colega de trabalho, à quem acho que já posso chamar de amiga, apesar de nossas (algumas poucas, quase um oceano inteiro) diferenças profissionais... uma amiga que mesmo com essas diferenças, que graças a Deus não atrapalha, mas desafia, por quem eu tenho um imenso carinho... minha amiga Débora, que tá gravidinha, esperando seu primeiro bebezinho e vem sendo diariamente bombardeada de palpites e sugestões, que fosse eu no lugar dela já teria mandado uma renca de neguinha tomar no olho do... enfim... desse lugar mesmo que vocês pensaram... mas a Debora é uma lady e não fala essas coisas feias que eu falo kkkk... eu, como acho palpite uma coisa chata e quase nada útil ofereço-lhe como parabéns pela maternagem, este post... mostrando um pouquinho da minha marternagem com meu caçula... porque é assim que eu vejo a maternagem... como uma aquarela, que não descolore nunca... no máximo perde o tom de vez em quando... mas depois logo retoma o brinho... porque tá no fundo do coração de quem é capaz de amar um filho... no melhor pedacinho da alma... ser mãe é mais do que decidir entre um parto natural ou uma cesárea... mais do que decidir entre quarto compartilhado ou separado... entre babá eletrônica ou a presença... ser mãe implica em inúmeros erros e outros zilhões de acertos... ser mãe é sorrir sem querer, é chorar sem perceber... ser mãe é... uma aquarela... que não descolore nunca...
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numa folha qualquer eu desenho um sol amarelo... e com cinco ou seis retas é fácil fazer um castelo..
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... corro o lápis em torno da mão e me dou uma luva... e se faço chover com dois riscos tenho um guarda-chuva...
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... se um pinguinho de tinta cai num pedacinho azul do papel... num instante imagino uma linda gaivota a voar no céu...
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vai voando, contornando a imensa curva... norte e sul... vou com ela, viajando havaí, pequim ou istambul...
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... pinto um barco a vela branco navegando, é tanto céu e mar num beijo azul...
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...entre as nuvens vem surgindo um lindo avião rosa e grená... tudo em volta colorindo, com suas luzes á piscar...
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... basta imaginar e ele está partindo, sereno indo e se a gente quiser... ele vai pousar...
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... numa folha qualquer eu desenho um navio de partida... com alguns bons amigos bebendo de bem com a vida...
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... de uma américa à outra eu consigo passar num segundo... giro um simples compasso e num círculo eu faço o mundo...
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... um menino caminha e caminhando chega num muro... e alí logo em frente à esperar pela gente o futuro está...
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... e o futuro é uma astronave, que tentamos pilotar... não tem tempo, nem piedade... nem tem hora de chegar...
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...sem pedir licença muda nossas vidas e depois convida à rir ou chorar...
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... nessa estrada não nos cabe conhecer ou ver o que virá...
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... o fim dela ninguém sabe bem ao certo onde vai dar...
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... vamos todos numa linda passarela de uma aquarela que um dia enfim...
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... descolore não viu Débora?!... você com sua doçura, paciência, capacidade de amar e até com esse jeito meio durão que vez em quando se manifesta (e acho que tem que se manifestar mesmo), vai, com seu pequeno ou pequena, saber tranquilamente aquarelar pela vida... e cada etapa vai ser única... e cada momento vai ser eterno... e apesar de o tempo passar, e de o futuro ser uma estrada onde não nos cabe conhecer ou ver o que virá... no fim dela (será que ela tem um fim?) tudo dá certo... porque você tem o que é preciso pra dar certo... o amor... e em algumas situações, como é o caso da maternagem... o amor faz toda a diferença! Quem te escolheu como mãe fez uma excelente escolha! Beijos carinhosos e que nem tudo sejam flores, mas que o jardim esteja sempre pronto a receber o que vier!

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Aquele com a dúvida: "Eu estou errada ou o mundo está muito louco?"

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Me lembro que desde muito nova, nunca fui muito competente no quesito "esconder os próprios sentimentos"... e desde quando dei meus primeiros passos para a minha "vida social extra família", isso não mudou... não sei se é o exemplo ideal nessa situação, mas foi o único que consegui encontrar para ilustrar:
Sabe o bebezinho? aquele recém nascido? Então... este quando vem ao mundo não está acostumado ainda com as sensações extra-uterinas... é tudo muito novo... tudo desconhecido... diante disso, se um recém-nascido tem cólicas, ele chora... se se sente incomodado por uma fralda suja, ele chora... se ele sente o aconchego familiar, ele dorme... se tem fome, ele suga... SIMPLES ASSIM...
O que eu penso, é que no que tange à sentimentos, eu sou e serei sempre um recém-nascido... porque quando dói lá dentrão do âmago do fundo do núcleo do centro do miolo do meu peito, não importa onde, quando e com quem eu esteja... eu choro... quando é engraçado, divertido, hilário, não importa onde, quando e com quem eu esteja... eu dou gargalhadas... quando eu levo um tropeção na filha da puta de uma pedra, estando calçada apenas de havaianas e dói a porra do dedão do pé, não importa onde, quando e com quem eu esteja... eu xingo e falo palavrão... aliás eu xingo muito, porque não sei o que aquela bisca daquela pedra filha de uma quenga estava fazendo bem na minha frente (sim, eu culpo a pedra sem o menor problema de ser considerada louca, afinal de contas, porra... eu tô com dor, caralho!!!!)... e assim sou eu nas minhas relações interpessoais... se eu amo, eu amo independente de o outro me amar ou não... e eu ajo com essa pessoa baseada no meu amor por ela e não no sentimento dela por mim... então se eu sentir uma vontade imensa de abraçar, eu simplesmente vou lá e abraço... se ela vai retribuir e abrir os braços pra mim, não importa... eu vou lá, abraço e pronto e eu só não abraçaria mais se ela me pedisse isso de forma clara, do contrário eu continuaria demonstrando meu afeto...
Mas por que diabos eu estou falando sobre isso?
Pois é... hoje o meu grau de abestamento, de pasmice, de "não credice", de embasbacamento (se não existem as palavras, inventei) e similares chegou ao seu cume! É sério... eu tô besta com a cena que eu "ouvi" (porque eu sou leal ao que eu sinto e nem conseguir olhar pra cara da pessoa que protagonizou a cena eu consegui, então eu só ouvi a coisa acontecer).
Pra que vocês compreendam melhor a coisa, vou voltar um cadinho o relógio... vamos dar uma passeada no mês de fevereiro deste ano de 2010, quando aconteceu isso, eu me senti assim, tive que passar por essa situação e no fim das contas, com a ajuda de um super amigo e de uma maravilhosa assistente social eu caí aqui...
Nas descrições das fotos linkadas, não há como compreender o que eu vivi... mas resumindo, foi assim: Em janeiro eu estava de férias, o coordenador da unidade onde eu trabalhava não me queria mais lá, porque eu, numa conversa informal, disse pra ele que não gosto da política de assistência e gostaria mesmo de trabalhar na saúde e além disso eu disse, não só nessa conversa informal, mas várias vezes e para várias pessoas, que as mundanças que estavam acontecendo no projeto me preocupavam, por que eu não concordava em dividir o mesmo espaço fechado, pequeno e sem segurança, que usuários com alto risco de periculosidade habitariam temporariamente e passariam todo o dia... até aí tudo bem... acontece que este tal coordenador não me disse que não me queria mais lá, ele simplesmente me ligou dizendo que a diretora tinha uma proposta pra mim e quando no dia 1º de fevereiro eu fui conversar com a tal diretora, descobri que na verdade ela não tinha uma proposta, tinha um comunicado e ela me comunicou que eu iria trabalhar num CRAS... o meu desespero naquele momento foi imenso e por dois motivos: 1) EU ODEIO CRAS... não concordo com bolsa família, abomino ações que tornem o usuário dependente do governo porque eu NÃO SOU MARXISTA e tenho nojo só de pensar que eu possa estar envolvida nesse processo de dependência; 2) com essa mudança eu perdi R$525,00 do meu ordenado, porque só no projeto onde eu estava se tem a oportunidade de fazer plantões e com isso aumentar a renda... então do nada, desavisada e de repente, eu não poderia contar mais com esse dinheiro ... se não bastasse isso já ter sido uma "puta falta de sacanagem", uma tremenda covardia da parte deste coordenador, ele ainda saiu falando para os meus colegas, que eu tinha pedido pra sair da ronda social, quando na verdade nós conversamos pra que ele me ajudasse a ser transferida pra política de saúde... ao invés disso ele melou tudo, porque contou pra secretária de desenvolvimento social sobre o fato de eu não achar seguro "me misturar" com pessoas que tem antecedentes criminas num ambiente fechado, pequeno e desprovido de segurança...
Em função disso eu fiquei com muita raiva dele, porque não o via só como meu coordenador, ele era uma pessoa por quem eu realmente tinha carinho, tinha afeto e eu continuaria tendo se isso nunca fosse recíproco, mas deixei de ter no momento em que percebi que além de covarde ele é um mentiroso...
Bem... reconstituída de forma muito breve a história (porque na época o meu sofrimento foi muito maior do que aparenta ter sido através desse relato)... vamos ao acontecimento de hoje que me bestificou...
A COHAGRA precisa de algumas informações que, por enquanto, só me estão disponíveis na secretaria de desenvolvimento social... Estava eu na porta desta, fumando meu cigarrinho aconchegada e aproveitando pra bater um papo com um colega de lá, quando vi a van da Ronda encostar e advinhem quem estava nela?... O próprio! Até aí tudo bem... fingi que não vi e continuei meu papo e meu cigarrinho... Eis que a pessoa atravessa a rua e puxa conversa com o colega com quem eu estava papeando... até aí, continua tudo bem, apesar de pra mim isso ser uma puta falta de educação, ainda era relevante... Até que a pessoa referida me solta em alto e muito bom som:
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OI, RANNE!!!!
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... :s ... :/ ... :[
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Alguém por favor pára o mundo, porque eu preciso urgentemente descer???????????
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Sério genz... a minha dor de barriga, fadiga, náusea, vontade de vomitar, embrulho no estômago, zunidos no ouvido e afins, foi tão imensamente incômoda, que na hora, e muito rápido como um flash cerebral, eu pensei e imaginei duzentas e oitenta e nove milhões, quinhentas e oito mil e duzentas e trinta e cinco respostas que com certeza caberiam naquele aparentemente simples "OI, RANNE!!!", mas a única coisa que o meu corpo todo abestado e estarrecido... quase em processo de decomposição interna... dormente como se eu tivesse recebido uma anestesia geral conseguiu fazer foi virar o rosto e não responder...
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PAUSA... porque só de contar a história estou sentindo de novo aquela dor de barriga, fadiga, náusea, vontade de vomitar, embrulho no estômago, zunidos no ouvido e afins
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"calma Ranne Maria... respira... acende um cigarro... conta 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9, 10... dá uma boa tragada no cigarro... pensa nos passarinhos da branca de neve... come um chocolate... coça o nariz... solta um punzinho... retoma a respiração e..."
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PLAY
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Tipo... sou só eu, na face da terra, que não consigo ser política e cordial??? Sério gente... eu deveria ser política e cordial???? Porque assim... eu sou totalmente capaz de perdoar e desculpar a forma como ele agiu tão cruelmente comigo... o fato é... ele NUNCA me procurou pra pedir desculpas... ele agiu todo esse tempo como se eu fosse a louca da história e ele o desentendido... ele me fez passar por maluca para com os meus colegas da Ronda Social e hoje, exatamente oito meses e um dia após a puta facada que ele me deu nas costas ele simplesmente solta um "OI, RANNE"???
Eu tô doida?? Eu sou realmente maluca??? Na boa "pipous"... a mágoa que ficou é doída ainda... eu chego as vezes a desacreditar que ele teve a capacidade de fazer a coisa como ele fez... porque como eu disse não foi o fato de eu ser dispensável à ele que me magoou... juro! As pessoas são dispensáveis sempre, o tempo todo, a qualquer hora... isso é normal... o que me arrebentou pior do que mil oitocentas e noventa e sete facas me torcendo cada órgão vital do corpo foi a maneira como ele agiu... foi a covardia de não ser capaz de me procurar nas minhas férias e "bater uma real" comigo... entendem isso? e eu ainda lhe dei essa oportunidade porque no dia 1º de fevereiro de 2010, no período entre a manhã, quando falei com a tal diretora do setor pra onde eu iria, e à tarde, quando ela me daria uma resposta definitiva sobre o meu destino, eu liguei pra ele e lhe pedi uma conversa e ele não conversou comigo...
Juro que em qualquer momento da minha vida, pode ser hoje, amanhã ou daqui 20 anos... se ele bater a minha porta e quiser conversar a respeito, quiser admitir que agiu como um banana... um puta bundão, porque foi assim que ele agiu, eu vou abrir a porta da minha casa, vou perdoar e a mágoa automaticamente vai embora do meu coração porque é assim que eu sou... esse é o meu eu... eu me conheço e essa capacidade eu sei que tenho, mas, oi? Fingir que foi tudo normal, correto e ético??? Não né, meu! Bóra parar a palhaçada porque eu não sou nenhuma boneca inflável!
Quando contei a história pra marido ele falou... "É... no setor público as pessoas agem assim... são cordiais e políticas"...
Então eu venho aqui, publicamente admitir que apesar de ser uma pessoa "do setor público" eu não sou cordial e política... eu continuo sendo aquele recém-nascido que chora se sofreu dor, que xinga se tropeçou numa pedra, que dá gargalhadas se ouviu uma piada engraçada... EU SOU LEAL AOS MEUS SENTIMENTOS... E eu ainda não consigo tirar a minha razão nisso (e olha que não tenho dificuldade nenhuma em admitir minhas limitações, meus erros e afins)... E talvez eu esteja contanto isso pra além de compartilhar meu embasbacamento, pedir que vocês, leitores/as e amigos/as, por favor me clareiem a visão caso eu esteja realmente louca ao invés de o mundo estar... porque até agora não consigo achar que estou...
Então, porra!!!!... Eu estou errada ou o mundo está muito louco?