quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Aquele sobre a chamada: "Comece uma História"

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A frase impositiva da qual faço uso para compor o título deste post foi vista por mim numa revista bastante conhecida que trata sobre assuntos diversos e atualidades em geral... a chamada não estava disposta numa matéria, mas na campanha publicitária visando a promoção de uma instituição bancária privada - era uma propaganda - que tem por slogam a auto afirmação "perfeito para você"...
Não que isso tenha me inspirado a falar sobre bancos, slogans ou campanhas publicitárias... é só que a chamada "comece uma história" me fez pensar sobre inúmeras coisas do cotidiano... projetos de vida, sucessos, fracassos, planos, destinos, começos, meios e fins (principalmente fins) e até sobre os últimos acontecimentos no país e no mundo (principalmente no país)...
Sei..... e somente sei... que a proposta feita pela tal instituição bancária na tal revista famosa não deu sossego ao meu superego até que eu pegasse um bloco de rascunho e uma bic preta e começasse a discorrer entre linhas...
Fiquei pensando em quantas histórias começamos... e se terminamos todas elas... e em quantas histórias somos inseridos sem querer e mesmo assim, por vezes, acabamos por nos tornar seu protagonista...
Pensei... e inevitavelmente pensei naquele policial militar... aquele que apanhou na "fusaca" ocorrida no estágio Couto Pereira em 06 de dezembro, após o jogo que terminou em empate entre Coritiba e Fluminense, levando o time da casa à série B do campeonato brasileiro, deixando sua torcida enfurecidamente violenta...
O polícial sofreu lesões a ponto de ser hospitalizado e quase morrer... na verdade chegou a morrer, segundo informações do capitão Bruno Soares, mas aí ficou no quase, segundo informações do coronel Jorge Costa Filho...
Pensei... e inevitavelmente pensei em quantas histórias ele começou e quase não terminou... quase foi impedido de terminar...
E aí pensei no time do Coritiba e em como ele planejou viver sua história no campeonato brasileiro de 2009... e pensei: tenha sido como for, com certeza não planejou ser rebaixado à segunda divisão...
E pensei na torcida coritibana, composta por milhares de curitibanos que também começaram uma história quando apoiaram o time no campeonato brasileiro... e duvido que estes tenham planejado terminar essa história jogando cadeiras e encenando ao vivo, para milhões de pessoas, a reprodução de uma das piores cenas reais da história do futebol brasileiro... cena esta que em nada perde para aquelas mostradas nos filmes que retratam a história das favelas no Rio de Janeiro (sim, porque o modelo de violência do país é quase sempre - se não sempre - a cidade maravilhosa... mas deixemos essa injustiça em forma de estereótipo para um outro momento de indignação)...
Não importa de quem seja a história começada e tão pouco de qual ponto de vista é avaliada... a verdade é que ninguém começa uma história imaginando que ela possa acabar da pior forma possível...
Não se começa uma história profissional planejando morrer (ou quase morrer) exercendo sua função...
Não se começa um campeonato planejando terminar como um dos últimos classificados (ou como um desclassificado)...
Não se começa uma torcida planejando terminar jogando cadeiras e espancando pessoas...
E todos os dias começamos uma história... e começamo-nas sem poder imaginar se vamos terminá-la ou não...
Foi inevitável pensar que em 2010 o Coritiba vai começar uma história na série B do campeonato brasileiro e isso dará à torcida coritibana a oportunidade de começar uma história enquanto torcida...
E aí pensei... e inevitavelmente pensei: aquele policial brutalmente agredido pela torcida coritibana poderia não ter mais histórias à começar... *

Photobucket
Foto Lineu Filho extraída do Jornale Curitiba On Line



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Homenagem ao Rio de Janeiro, essa cidade maravilhosa, vítima, inúmeras vezes de estereótipos que ofuscam suas maravilhas...

Homenagem aos torcedores do Coritiba que se recusaram a participar do massacre naquele inferno verde...

Homenagem ao time do Coritiba, por até o último minuto, lutar contra o rebaixamento...

Homenagem, principalmente, ao policial militar, quase morto, que quase teve suas histórias interrompidas...

E assim, que comecemos uma história de não violência neste país!

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Obs - O termo coritibano refere-se à torcida do Coritiba Foot Ball Club e não à pessoa nascida na cidade de Curitiba (só pra constar)!

Um comentário:

  1. Sabe Ranne não puxando o saco mais é bem assim que eu te "vejo", ou te defino, beijos e mais beijos...


    Kelen e meninos

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